
Negligência – a vergonha de um país que deixa a educação para depois
maio 20, 2009
O que representa o dia 22 de abril? Para algumas pessoas distraídas, nada. Para o Brasil, tudo
Tamanho desleixo, de não lembrar a data do descobrimento do País, por certo não seria visto no Líbano. Se em extensão territorial o Brasil é muito maior, a qualidade da educação por aqui não tem a mesma diferença. O filho de Ibrahim, brasileiro, já está na terra natal do pai há quase uma década. O empresário lembra-se da preferência do filho pelo Brasil; no Oriente Médio, ele vive com a avó. Não fosse pela educação, não haveria razões para deixar mais um brasileiro um tanto quanto contrariado no exterior.
Ibrahim relata o curioso caso de colegas seus, que estudaram no Líbano, e depois cursaram a faculdade de Engenharia em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Nas palavras dele, como os conteúdos vistos em certas disciplinas, em especial no início do curso, eram idênticos aos ministrados nos anos de Ensino Médio no Líbano
Ibrahim nunca teve aulas do currículo regular, exceção feita à gramática, em árabe. Aprender química, física, história, geografia, biologia e matemática apenas em francês e inglês. “Se não for assim, como o aluno vai aprender outro idioma?” questiona o libanês, numa equação que parece simples e óbvia, embora nem sempre observada. Nossos problemas com educação ainda recaem nas condições mais simplórias.

André Ribeiro: "O professor constrói o conhecimento com a sala de aula. Porém, não acredito que esse possa aprender mais com o aluno do que o contrário. Não! Acho que o professor sempre deve saber mais que o aluno. Afinal de contas, por isso ele é professor..."
O professor de filosofia André Luís Ribeiro, que ministra aulas de história em Curitiba, discute o papel do livro didático. Sua crítica recaí sobre o pouco nível reflexivo que algumas editoras oferecem, embora como ele assinala no vídeo a seguir, o livro seja um apoio, a “cereja do bolo” em toda uma construção que envolva uma série de iniciativas por parte do professor.
O professor André Luis Ribeiro define como pode ser a relação, por vezes conflitante, entre mestre e livro didático
A professora Rosane Maria Bobato lembra dos transtornos causados pela mais recente Reforma Ortográfica
A professora e diretora Sihan Boehm Ibrahim Arram trata do aporte do material didático pela perspectiva burocrática e vislumbra o futuro dos formatos atuais
A seu modo, o governo brasileiro tem tomado algumas iniciativas. E, como é sempre bom assinalar, tentando prestar seu papel de servidor e provedor, dentre outras coisas, da educação. A resolução número 38 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação implantou em 2004, o Programa Nacional do Livro de Ensino Médio. O objetivo fundamental passa pela universalização dos livros didáticos para os alunos do ensino médio público do País. Por essa medida, os estudantes recebem o material didático válido para todos os três anos, derradeiros no currículo regular. Seu aporte inicial foi de 2,7 milhões de livros das disciplinas de português e de matemática, destinados a estudantes do Norte e Nordeste de mais de cinco mil instituições. Os investimentos já superaram os 121 milhões de reais, e até 2008, os beneficiados passaram de sete milhões de alunos.